Futsal de Primeira

Futsal PR: Clubes cobram por ajuda financeira da FPFS

10 de maio de 2020 às 17:42:50


Sem jogos, os clubes não conseguem entregar aos patrocinadores o retorno midiático proposto

Considerada por muitos a principal modalidade esportiva do Paraná, o futsal padece com a crise desencadeada pela pandemia da covid-19. E se até mesmo o glamour do futebol vem sendo atingido por problemas financeiros, quem dirá a realidade das quadras.

Nesta reportagem, o Correio do Povo do Paraná busca um retrato da realidade dos clubes durante a paralisação das atividades. E mais: a atuação da Federação. Como as equipes avaliam a atividade da entidade neste período? Ela tem responsabilidade financeira de ajudar seus filiados?

A SITUAÇÃO DOS CLUBES EM NÚMEROS

O Campo Mourão se preparava para uma temporada de calendário cheio: Série Ouro, Copa Paraná, Liga Paraná e Liga Nacional. A diretoria apostou. Trouxe Sinoê, ex-Marreco. Mas a folha de pagamento, que segundo o clube era de R$ 90 mil "mensais, foi enxugada com a suspensão das atividades esportivas, na segunda metade de março. Dos 25 funcionários, entre atletas, comissão técnica e demais colaboradores, ninguém foi demitido, mas os salários foram reduzidos pela metade.  

Sem jogos, o clube não consegue entregar aos patrocinadores o retorno midiático proposto. Pior: com as atividades comerciais repletas de incertezas, o lucro das empresas cai, o que impossibilita o repasse. “Eu "tinha 40 patrocinadores. Hoje tenho 25”, conta o presidente do Ampére, também da Série Ouro, Miguel de Oliveira.

FUTSAL FEMININO 

"O cenário da modalidade atinge todas as divisões: da Ouro à Bronze Masculina. Na elite feminina, os projetos, que já que já contavam com recursos escassos, lutam pela sobrevivência. 

Campeão estadual e da Libertadores Feminina em 2019, o Cianorte aparou os ordenados de seus 22 contratados em 50%.."No rival Telêmaco Borba, o quadro é semelhante. Lá, houve 60% de redução salarial, medida que garantiu que todos os 27 empregados não fossem dispensados.

DIRIGENTE EMPRESTA DINHEIRO AO TIME

O presidente do Operário Laranjeiras, atual campeão da Série Bronze, Leoni Luiz Melleti, diz que a receita, então de R$ 50 mil, caiu para R$ 6,5 mil no último mês. Para poder pagar 25% dos salários dos 20 contratados, os diretores emprestaram dinheiro ao Rubro-Negro.

"Outro integrante da Série Prata, o Pinhão não consegue estipular um percentual, e acerta com os jogadores conforme "o valor recebido dos patrocinadores. “Em abril recebemos 30%”, conta o presidente Fábio Júnior dos Santos. Dos 46 patrocinadores do início do ano, seis suspenderam os pagamentos e alguns pagam parte do valor”, diz o supervisor do Coronel Futsal, Evandro Tosetto. 

CAMPEÃO BRASILEIRO NÃO ESCAPA 

Siqueira e Pato duelam na 1ª rodada da Série Ouro 2020. Elite foi única divisão a ter pontapé em 2020. "Nem mesmo o bicampeão da Liga Nacional escapou da instabilidade financeira. "O Pato, que tem folha salarial beirando R$ 150 mil ao mês, tem acertado 60% do valor. "Nosso fotógrafo não é contratado. Ele presta serviços. Se não há jogo, não há foto. Como ele irá sobreviver?. Nós procuramos não pensar só no atleta. Estamos buscando ajudar, da maneira conseguimos, os outros colaboradores”, relata o supervisor pato-branquense Gerson Glen. 

Izaias Sirigalli, presidente do CAC, da Série Bronze, cogita interromper temporariamente os pagamentos. “Nós temos 12 atletas. Todos da nossa cidade (Cantagalo). No último mês, da folha de R$ 7 mil, recebemos 35%."Repassamos aos jogadores conforme este percentual”.

SALVAR A MODALIDADE

"Assim como nós, a Federação precisa fazer sacrifícios, como cortar salários e diminuir gastos administrativos. Ela pode estudar situações com seus patrocinadores "para que apoiem os clubes. É hora de salvar a modalidade. Desde o início da paralisação estamos cobrando um posicionamento neste sentido”, refuta Anderson Hertz, gestor de equipe do Campo Mourão. 

"A Federação não deve ter grande receita, mas possui o Sicredi como parceiro. Inclusive, nos obrigaram a engolir a marca de empresa dentro das quadras. Justamente por uma situação como essa, que a entidade deveria intervir junto ao próprio Scredi e solicitar que nos ajude. A secretaria de Estado também precisa olhar para o esporte. Muitos profissionais dependem dele para  sobreviver. Nas reuniões, vi a Federação preocupada com os árbitros, sendo que não são só eles os afetados”, argumenta o presidente do Operário Laranjeiras.

A questão envolvendo o Sicredi é questionada por outros diretores. “Penso que a Federação deveria fazer isenção de taxas das taxas mais significantes, diminuição do valor das arbitragens. Impuseram a logomarca do "Sicredi na quadra de jogo, o que pode trazer até problemas pois a maioria dos clubes usa ginásio público. Para se ter um acordo desse o contrato deve ser ‘dos bons’! E em nenhum momento os valores deste contrato com o Sicredi foi revelado, pelo menos para mim do CAC não chegou essa informação”, diz Izaias Sirigalli. 

"Temos obrigação de ter a marca do Sicredi exposta em duas áreas da quadra e em placas laterais. Mas por quanto a Federação "‘vendeu’ os campeonatos para o ‘Sicredi’? Infelizmente, acredito que falta transparência. Ela "não expõe, por exemplo, se o campeonato foi vendido por R$ 500 mil e irão gastar R$ 200 mil em premiação e o restante será utilizado em cursos de árbitro, etc. A entidade existe por causa dos clubes. São "eles seus mantenedores. Pagamos inscrições, taxas. Foi por conta de situações como essa que os clubes "criaram a Liga Paraná. Lá, em toda reunião, tomamos conhecimento de todo o dinheiro que entra e sai”, alfineta "o presidente do CAD, de Guarapuava, Anderson Gnap.

SEM UNIFORMIDADE?

No entanto, ao que parece, não há uma uniformidade de movimento entre os clubes. O presidente de Pinhão disse que nas reuniões em que esteve, ninguém se manifestou sobre essas questões.

O gestor do Pato, Gerson Glen, ex-jogador e preparador físico, com passagem pela Seleção Paraguaia, criticou a falta de um movimento consolidado entre os colegas da modalidade. “Vejo o pessoal do futsal compartilhando textos, defendendo o ponto de vista deles. Eu não sei o que acontecerá com o futsal. Nós precisamos de um movimento, com atletas, diretores, empresários, para manter a modalidade viva. Tenho acompanhado algumas conversas sobre a Federação. A situação dela é totalmente diferente da federação de futebol, que têm retorno de mídia, cota de TV. Nossa Federação pode ajudar pouco. Ainda assim, ela precisa pensar em alguma solução".

"Precisamos pensar além da Federação. Esse ano não iremos conseguir acertar o que combinamos no início do ano com os atletas, mesmo "com alguma ajuda. Terá que ter uma união de todos que amam o futsal, para que os clubes sobrevivam. Se os atletas não compreenderem que o problema é geral, não terá saída. Não é só com redução de salários. Todos querem a volta das competições para voltarem a receber integralmente seus salários. Isso não vai acontecer.

A crise afetou todos os segmentos, inclusive as empresas que apoiam os clubes. Nossa modalidade é frágil, não têm a TV, não temos união. O futsal não têm sindicato de atletas, mas tem empresários. Esses precisam se unir e fazer uma proposta para contribuir com os clubes. Não é simplesmente ir para a justiça se o "clube não pagar, pensando só no atleta. Em vez de colocar ‘textinho’ no Facebook, onde todo mundo têm publicado a mesma coisa, deveria existir um movimento real, unificado. Ou saímos fortalecidos ou puxamos só para um lado e os clubes terão problemas com ações trabalhistas e o futsal voltará a ter um nível baixo, com poucos clubes, trabalhando com estrutura amadora e não é isso que quero para nosso esporte”, concluiu.

Fonte: Juliam Nazaré – Correio do Povo do paraná via Paraná Top

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