Futsal de Primeira

Futsal PR: Eu quis parar, abandonar a carreira, confessa Fabinho Gomes

18 de maio de 2019 às 10:45:41


Quando foi demitido do Marreco, em 2017, o treinador pensou em largar o futsal. Em 2018, no entanto, começou o trabalho em Dois Vizinhos, onde reencontrou a felicidade.

Fábio da Silva Gomes Filho, o Fabinho Gomes, começou a carreira de treinador na Intelli (SP), em 2006, com 26 anos. O primeiro trabalho no Paraná veio dois anos depois, no Beltrão Futsal, onde também ficou em 2009, quando a equipe teve problemas financeiros e acabou. Depois disso, mais alguns trabalhos em São Paulo até retornar, de vez, na metade de 2013, para comandar o Marreco Futsal. De lá pra cá, ele teve ainda passagens pelo Foz Cataratas, o retorno ao Marreco, onde disputou 113 jogos (nas duas passagens), e, desde 2018, Fabinho comanda o Galo Futsal.

A competitividade é a marca dos trabalhos do treinador, com equipes que sempre brigam na parte de cima da tabela e, em Dois Vizinhos, o técnico se tornou ídolo da torcida e chega ao seu jogo de número 60 na noite de hoje, contra o Toledo, fora de casa. Em entrevista, Fabinho falou um pouco sobre a carreira, que quase acabou precocemente, depois da saída da equipe de Francisco Beltrão na metade da temporada de 2017. Confira:

JdeB – Você é um técnico paulista, mas com carreira consolidada no Paraná. Se apaixonou pelo o Estado?
Fabinho Gomes - Eu não pretendo sair do Paraná, gosto daqui. Tenho planos de trabalhar, um dia, em Santa Catarina e Rio Grande do Sul para experimentar outras culturas de futsal. Para São Paulo é difícil voltar, lá os times pegam bastante treinadores da casa.

A sua saída do Marreco foi conturbada em 2017. Você reencontrou a paz em Dois Vizinhos?
Eu quis parar, abandonar a carreira. Eu via muita injustiça. Pela segunda vez sair, não por maus resultados, mas por outros fatores. Nas duas vezes que eu montei a equipe em Beltrão, ela chegou aonde eu falava que ia chegar. Em 2014, eu disse que íamos chegar entre os quatro e eu fui mandado embora numa derrota, em Marechal, por 2 a 1. Aí o time perdeu em Cascavel na semifinal, onde eu cravei que chegaria. Em 2017, eu também disse que íamos chegar entre os quatro do Paranaense. Era um time novo, que eu falava que ia render mais pra frente, mas não tiveram paciência. O time chegou entre os quatro da LNF e foi vice do Paranaense. Para mim, foram os dois melhores elencos que o Marreco já teve. Eu fiquei bastante chateado (com a demissão) por não ter dado sequência, por dizerem que eu não tinha experiência para lidar com grupo pesado. Aí eu pensei: por que vou seguir na carreira se não tenho capacidade e experiência? Fiquei até o final de 2017 desempregado, desanimado. Eu lembro que o Diomar (Ruaro, diretor do Galo) me ligou três vezes para eu começar a conversar sobre vir para cá.

Como foi a negociação com a diretoria duovizinhense?
Eu não lembro o mês que me ligaram, mas era final do ano. Na primeira conversa, nem teve proposta. Ele perguntou se eu tinha interesse e eu disse que não estava a fim, que queria ficar em São Paulo pelo que tinha acontecido comigo, estava desanimado, não queria o Paraná e nem ficar perto de Beltrão. Se fosse uma proposta de outra região, talvez eu ouvisse mais rápido. Ele insistiu que queria meu trabalho no Galo e que não ia ligar para outros (treinadores) até eu não dizer não. Aí um time do Rio Grande do Sul me ligou, fez proposta e eu pensei: não sou tão ruim assim. Passou um tempo, o Diomar ligou novamente, insistiu que não tinha ligado para ninguém, comentei que era uma situação mais pessoal e ele, novamente, disse para eu pensar, que o projeto era legal. Em dezembro, o Diomar me ligou e eu pensei: caramba, o cara tá querendo mesmo e eu levei isso em consideração. Eu falei que estava contente por ele ter insistido, que havia levantado minha autoestima. Foi feita uma proposta, conversamos, negociamos e fechamos. Eu só pensei em recomeço, não pensei na divisão que o time disputaria. Só vim porque confiaram em mim. Cheguei aqui, fui recebido com muita atenção, preocupação de todos. Um detalhe que parece pequeno, mas é diferencial no esporte é que minha casa, por exemplo, estava toda montada, me esperaram no trevo, aí fomos construindo, reconstruindo a equipe, porque tivemos muitas mudanças e a diretoria sempre me escutou.

E hoje o trabalho aqui é bastante reconhecido...
Eu não sei como posso definir a torcida de Dois Vizinhos. Acho que a equipe nunca teve um investimento semelhante ao deste ano e, consequentemente, a pressão pouco existiu nas outras temporadas. O torcedor ainda é bastante tranquilo. Claro que tem gente que acompanha mais, que é mais fanático. Isso também acontece porque desde que estou aqui, nessa gestão, não demos brecha. Não tivemos momentos ruins ainda. Ano passado fomos regulares e, mesmo com a perda do título, conseguimos o acesso, que era o objetivo. Este ano temos o objetivo de não cair. Por enquanto, estamos bem. Vamos ficar entre os oito? Estamos, de momento, entre os oito. Eu meço a febre da torcida pelas redes sociais, e aqui é diferente do que em outras equipes. Hoje temos poucos comentários, não temos críticas. Isso é muito bom para o trabalho. Com os resultados melhores, no entanto, aumenta a cobrança. Levo como exemplo Foz do Iguaçu: no meu tempo, era tranquilo. Agora, que foram campeões paranaenses e ficaram entre os quatro da Liga Nacional de Futsal, é mais complicado. Aqui, se formos bem na Ouro, chegarmos nos playoffs, acredito que ano que vem vai ser mais complicado. A torcida vai lá por entretenimento, para ver um jogo de futsal e não vendo como competição. Também acho que quando esteve na Ouro, mesmo sendo há poucos anos, o esporte não era tão midiático na região. Hoje todo mundo sabe quem joga no Pato e no Marreco, que são os times que estão aqui do lado, além da Copagril, Foz, enfim, então chama bastante atenção. Eu sei que vamos passar por turbulências, todo time passa. A gente ficou três jogos sem vencer antes das duas vitórias e, se é numa outra equipe, toda a chamada para o próximo jogo numa rede social seria cheia de cobranças. Aqui eu não tive isso. Temos muita tranquilidade. Diferente do Marreco, que eu posso comparar porque eu estive lá, o trabalho lá é jogo a jogo. Se você ganha, tem sobrevida. Perde na sequência, já começa a pressão. E se ganha jogando mal, tem pressão do mesmo jeito. Aqui é diferente.

E o público está respondendo?
Até hoje, não baixamos de 800 pessoas no ginásio, isso é uma grande média.

E foi nesse cenário que você se reencontrou como treinador?
Sim, foi. Eu gosto de trabalhar aqui. Eu vou feliz para o treino, desde a chegada. Me senti bem acolhido, me senti importante. O pessoal vinha conversar comigo e era recíproco, o time estava feliz comigo aqui. Isso foi importante para o ano ser bom. O grupo e a diretoria abraçaram a ideia, não deixaram faltar nada. Uniu o útil ao agradável, todo mundo viajava, apoiava. A diretoria tem poucas pessoas, mas estão bastante focados nisso. Tudo ajuda.

Este ano mudou um pouco. Você montou o time, dentro das limitações financeiras e tem um resultado interessante.
Não dá para se empolgar. É o começo. A Ouro proporciona mais que o meu trabalho apareça. A Prata é diferente, é mais força, eu não gosto de ter pivô no meio da quadra, por exemplo, mas tive que fazer isso no ano passado. Fomos montar o time, tive o orçamento, decidimos quem ia ficar e quem não ia, contratamos. Nossa meta é não cair, primeiramente. Se conseguir, vamos brigar para o playoff. Hoje eu vejo, desde a montagem do meu elenco, sabemos que podemos chegar. Mas é um passo de cada vez. Tá demonstrando isso, está sólido entre os oito. São dois campeonatos, os times da Liga já escaparam e nossa briga segue sendo para não cair. O que está acontecendo é legal, estamos com oito pontos de distância para o primeiro fora da classificação e já temos que começar a pensar na frente. Se não dosar, mesmo com jogos só aos sábados, estoura. A gente tem uma gordura para queimar agora e pode experimentar todo o elenco. Eu ainda não olho para cima, minha briga é ali embaixo. Hoje eu consigo planejar um trabalho, não tenho o que reclamar e espero ficar aqui muito tempo.

Você teve proposta para sair nesse período aqui?
No começo do ano passado, o Uruguaiana (RS) veio atrás depois de algumas indicações. Era uma proposta boa, mas era muito longe. Eu expliquei que estava acertado aqui, não podia deixar o projeto e tentei deixar as portas abertas. Este ano teve também o Marau (RS). A proposta era legal, mas eu já tinha acertado aqui. Quis ficar, a visibilidade da Ouro é legal, quero fazer um bom trabalho e fiquei feliz que meu nome foi ventilado, extraoficialmente, lá em Marechal Rondon. Eu não iria, já estava com isso na minha cabeça. Eu lembrei de quando eu saí de Foz para o Marreco. Não digo que foi um erro, mas se fosse qualquer outra equipe eu não iria. Era o Marreco, tinha um algo a mais. Eu ainda sonho em levar o Marreco para um título estadual, mas não como treinador. De outra forma. Como gestor, sei lá. Como treinador, não.

Mas você ainda quer seguir como treinador?

Sim, o plano é esse. Quero rodar um pouco mais. Não descarto ser supervisor também, é interessante.

Fonte: Alexandre Baggio – Jornal de Beltrão

 

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