Futsal de Primeira

Futsal RS: Capitão da AMF, Rômulo se despede das quadras

03 de janeiro de 2019 às 11:15:15


Com seu sotaque baiano inconfundível, Romulo Souza Chaves fez sucesso pelas quadras do Brasil e história no futsal em Marau. Levando a faixa de capitão desde a retomada da Associação Marauense de Futsal –AMF ao profissionalismo, em 2016, o “capita” vestiu a camisa da equipe ao longo de três temporadas. E, agora, aos 40 anos, o atleta anunciou oficialmente sua aposentadoria no mundo do futsal..

Natural de Jequié, na Bahia, o fixo chegou à Marau em 6 de abril de 2016 - 10 dias antes da estreia da equipe no Estadual daquele ano, e desde lá foram 68 jogos com a camisa da AMF. Em uma passagem que marcou história, o fixo conquistou dois acessos consecutivos: para a Série Prata 2018 e para a Série Ouro 2019, além do título de campeão da Série Bronze 2017. E ficou para a história de Marau..

Porém, não foi apenas em solo marauense que Romulo deixou seu legado. Ao longo de 22 anos de carreira, o fixo coleciona histórias e momentos memoráveis no futsal brasileiro. A trajetória iniciou cedo, na seleção de futsal da sua cidade, Jequié, na Bahia. “Aprendi muito com muito e são meus ídolos até hoje. Minha terra natal sempre foi berço do futsal baiano e eles me ajudaram muito”, relembra. Após, aos 18 anos, saiu de casa para tentar a sorte no futebol de campo, passando por times no interior de São Paulo e Pernambuco. Já no futsal, a profissionalização aconteceu quando o atleta foi contratado pelo Sport Club Bahia, onde permaneceu por quatro anos e conquistou diversos títulos e prêmios individuais, inclusive uma pré-convocação para a Seleção Sub-23. “Tudo foi acontecendo muito rápido. O futsal me agarrou, não fui eu quem agarrei o futsal”, explica.

O sonho de jogar em solo gaúcho

Com a evolução, o sonho de jogar em um time de ponta foi crescendo, enquanto por várias oportunidades rodava o país na disputa de diversas Taças Brasil. E nessas andanças uma história chama a atenção: “Eu jogava bem, mas não conseguia ir para um time de ponta. Em uma dessas disputas, fomos de ônibus jogar e passava pela cidade onde sou natural, Jequié, e falei para todo mundo: eu vou para casa se eu não sair para algum time. Levei todas as minhas coisas, se eu não for, na volta eu paro na minha cidade e paro de jogar. E nessa Taça Brasil eu fui para o Foz”, relembra o atleta sobre seu primeiro contrato em um time de alto escalação.

Atualmente com residência fixa em Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul, o sonho de jogar em solo gaúcho também foi uma das grandes metas da carreira do fixo baiano. “Eu tinha um sonho de jogar em Carlos Barbosa. Ainda em 1999 em vim para cá jogar e fiquei encantado, é uma cidade apaixonada pelo futsal. Eu botei na minha cabeça que queria jogar ali e busquei. Eu nunca tive o sonho de jogar na Seleção Brasileira de futsal, meu sonho era jogar na ACBF”, conta. E o contrato com o time multicampeão de Carlos Barbosa aconteceu no ano de 2005 - fazendo com que Romulo chegasse ao Rio Grande do Sul para não mais sair. “Acabei me adaptando, hoje minha esposa tem emprego aqui, deu tudo certo. Eu tinha um acordo com ela: quando fosse parar eu ia seguir ela, porque ela me seguiu por muito tempo”, ressalta sobre sua relação com o Rio Grande do Sul – terra que também adotou como sua.

“Eu vou retornar sempre, torcendo pela AMF e pelos amigos que fiz”

Já a cidade de Marau pintou no currículo de Romulo quando a decisão de parar de jogar profissionalmente já existia na cabeça. “Foi no início de 2016, eu estava no América de Tapera e não sabia para onde ir, já queria parar de jogar. Marcelinho me ligou, joguei com ele em Santa Fé do Sul, falei com o Maurício e o Moraci por telefone, pintou o convite e eu acreditei no projeto. Não me arrependo nenhum pouco de ter ficado esses três anos aqui”, conta.

E o reconhecimento de Romulo com Marau é o mesmo dos marauenses com o capitão: de admiração e de história construída em três temporadas de vitórias e conquistas. “As lembranças que vão ficar são as melhores possíveis. Fui muito feliz nesses três anos. Encontrei pessoas incríveis que passaram pela AMF esses três anos. O povo de Marau me acolheu muito bem. Marau está no meu coração, vou com certeza ser mais um torcedor. Vão ficar as boas recordações, as pessoas verdadeiras que te abraçam com abraço sincero e te olham com olhar verdadeiro, isso não tem preço. Eu vou retornar sempre, torcendo pela AMF e pelos amigos que fiz”, completa Romulo.

A hora de decidir parar

A ideia de, definitivamente, pendurar as chuteiras amadureceu ao longo das últimas temporadas. “ Nosso mundo é feito de alguns preconceitos e a idade do atleta é um desses. Um atleta da minha idade não é fácil, tem que matar um leão por dia, a musculatura não é mais a mesma”, conta o fixo. E, após uma temporada onde conseguiu uma boa sequência de jogos, em quadra em grande parte da temporada no Estadual Série Prata, foi a hora de parar.

Agora, a palavra definitiva para Rômulo é descansar. “São 22 anos dentro de uma quadra, 22 anos sem final de semana, 22 anos sem feriado, quero mudar agora isso aí”. Porém, se o descanso é nas quadras, 2019 será de desafio longe das quatro linhas. “Agora com 40 anos eu quero começar a trabalhar”, brincou ao falar do seu novo desafio, como representante comercial. “Marau foi mais uma porta quanto ao depois do futsal também. Vou trabalhar para uma pessoa que eu admiro muito que é o Moraci Davila, que me deu essa oportunidade, em um momento de transição”, finalizou.

Fonte/Foto: Alessandra Formagini – Assessoria AMF

 

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