Assisti alguns jogos da Copa da África e fiz algumas reflexões comparando com o futsal. Foram três assuntos em que me concentrei: adaptação à bola, jogadores naturalizados e o jogo de força.
A copa começou e alguns jogos são realmente sofríveis. Com a globalização e a força política da Fifa, muitos países querem participar do maior evento esportivo do mundo. Hoje a fase final com 32 equipes tem alguns países de categoria duvidosa e a primeira fase traz alguns jogos chatos e de fazer dormir o mais fanático por futebol.
A maior polêmica até agora foi a tecnológica jabulani, a bola oficial da Adidas que foi especialmente desenvolvida para a copa e que facilitaria a vida dos atacantes. Ouvi muitos absurdos, inclusive de ex-atletas, mas enfim cheguei à conclusão que falta mesmo é treinamento, pois seria preciso poucos dias de treinamento para essa adaptação. Posso falar isso de cadeira, pois passei pelas mudanças do futebol de salão para o atual futsal. No futebol de campo o peso e o tamanho não mudaram nada, apenas o material e a tecnologia empregada. Já no futsal da bola mais pesada, que não quicava, que era menor e de um material diferente passamos rapidamente ao que é hoje, é claro que foram muitos treinos. Pelos jogos que eu vi a bola não tem muita culpa, mas sim a falta de técnica de muitos jogadores.
Como no Mundial de Futsal, muitos jogadores se naturalizam e passaram a jogar por outros países. É bem estranho ver um japonês, um alemão, um espanhol ou até um português que nasceu no Brasil, cantarem o hino nacional, simplesmente por terem a oportunidade profissional de jogar por um clube desse país. Ou ainda ver um holandês, francês, ou dinamarquês que nasceu na África. As entidades responsáveis pelo futebol e futsal devem urgentemente rever os conceitos, pois está ficando meio sem graça.
Vi alguns jogos da Liga Futsal e da mesma maneira que nos primeiros jogos da copa da África, o futebol está se tornando um jogo de brutamontes fortes e muito rápidos, mas de cintura dura e caneleiros. Das 32 seleções que disputam o mundial, são 736 jogadores e desses apenas algumas pouquíssimas dezenas são capazes de dar um drible, um driblezinho sequer. Brasil, Argentina e 1 ou 2 jogadores de outras seleções podem fazer alguma coisa diferente de correr muito e passar a bola de qualquer jeito. Outra vez acho que é culpa de falta de treinamento, principalmente nas categorias de base, onde se ensina os garotos a marcar e correr somente.
Essas foram as coisas ruins, mas é claro que como amante do esporte, poderia falar horas das coisas legais que tenho visto, mesmo que infelizmente pela televisão e internet. O povo africano é o melhor da copa, com sua alegria e felicidade, mesmo diante de tantas dificuldades. Os estádios são modernos e a organização e recepção dos africanos são emocionantes. E alguns jogadores mesmo muito marcados, são muito bons. Espero que os brasileiros da seleção brasileira mostrem o valor de uma preparação bem feita e que levou em consideração o comprometimento, pois infelizmente alguns jogadores acham que qualidade técnica não combina com responsabilidade.
Boa copa e boa semana aos amigos do futsal.
Dé