É com muita honra que o site
www.futsaldeprimeira.com traz para os amantes do esporte mais praticado no mundo, mais uma entrevista muito especial.
Em meio a muitas viagens com a Malwee/Cimed e também pela Seleção Brasileira, o craque Lenísio Teixeira Júnior, 33 anos e pai de dois filhos, Vinicius e Leticia, atendeu o nosso pedido e mostrando-se sempre muito atencioso, ele nos conta um pouco da sua história dentro da modalidade mais praticada no mundo, do seu futuro depois de parar de jogar, dos favoritos ao título da Liga Futsal 2010 e também da sua passagem pelo futsal espanhol.
Desde já agradecemos e parabenizamos a este grande atleta por todas as suas conquistas, sendo considerado um dos melhores jogadores de futsal do mundo de todos os tempos.
Futsaldeprimeira: Qual qualidade um jogador brasileiro mais evolui na Espanha?
Lenísio: Acho que na Espanha você aprende que o coletivo vem em primeiro lugar. Lá eles valorizam o que você pode dar, entendem que o esporte se ganha e se perde, respeitam mais o ser humano, inclusive quando alguns atletas param de jogar, eles continuam ligados ao clube e a modalidade. Para mim isso demonstra valorização ao atleta e ser humano.
Futsaldeprimeira: A Seleção Brasileira recuperou a hegemonia no Mundial em 2008. A experiência no futsal espanhol ajudou a equipe?
Lenísio: Essa foi a chave para o Brasil ganhar o mundial. A maioria dos jogadores atuou na Espanha e muitos jogadores que estavam no mundial haviam perdido dois mundiais (200 e 2004), com isso aprendemos que só ganharíamos se fôssemos um grupo de verdade.
Exemplo disso foi na disputa de pênaltis, onde o Tiago jogou todos os jogos e quando foi para as cobranças entrou o Franklin. Houve um respeito mútuo. Só nós sabemos o quanto o Franklin treinou e se preparou para ajudar e o Tiago respeitou e torceu. Esse é um dos muitos exemplos desse grupo de 2008.
Futsaldeprimeira: Você jogou no futsal espanhol, é tão difícil vencê-los mesmo?
Lenísio: É difícil porque eles não jogam só para si. Jogam para si e pelo companheiro, se tornam dez em quadra. Eles jogam um futsal diferente do que jogamos no Brasil. Sabem o que fazer em cada momento e sabem a hora que não se pode errar. O Brasil tem a qualidade, eles sabem disso, mas só com a qualidade não se ganha. Acho que Brasil hoje sabe que para ganhar campeonatos importantes tem que defender igual ou melhor que todas as seleções.
Futsaldeprimeira: Qual o principal motivo da sua volta ao Brasil?
Lenísio: Coincidiram algumas coisas. Eu estava tendo muitas lesões na Espanha, teria o mundial em 2008 e eu queria chegar bem para esta competição.
A Malwee/Cimed me fez uma proposta. O João (preparador físico) e o Renato (fisioterapeuta) são excelentes profissionais, então consegui juntar várias coisas: recuperar das lesões, jogar o mundial e jogar em uma equipe de ponta, que disputa títulos.
Futsaldeprimeira: Hoje alguma outra equipe, além da Malwee/Cimed, teria condição de trazê-lo de volta ao Brasil?
Lenísio: Acho que sim, pois não jogo só por dinheiro. Analiso outras coisas também. Minha família feliz é o que realmente importa. Se for uma coisa boa para mim e minha família, não haverá problema nenhum jogar em outra equipe. Estou hoje em Jaraguá do Sul e um dos motivos é porque a minha família está feliz.
Futsaldeprimeira: Como é o treinamentos técnico e tático em relação á Espanha? E a parte física?
Lenísio: Não tem como comparar o Brasil e a Espanha nesses aspectos. O Brasil é muito maior que a Espanha territorialmente e aqui se joga de três a quatro vezes mais do que lá. Na Espanha se joga uma vez por semana, chegando a 42 jogos no ano, isso para uma equipe que chega na finais e o ritmo de treino é diferente. Lá você treino menos, tem mais tempo para estar com a família, viajar e aproveitar as coisas boas que o país oferece.
Se você quer saber se é melhor ou pior, é o que sempre falo: eu tenho que respeitar o que cada um faz. Eu é que tenho que me adaptar o que cada pessoa faz, o que cada equipe deseja.
Futsaldeprimeira: A sua tomada de decisão é o ponto forte do seu futsal, você concorda com essa afirmação? Isso é treinável?
Lenísio: Não me sinto bem falando sobre mim, prefiro que os outros tirem suas conclusões, mas acho que tudo pode ser treinável, depende do que você quer para a sua vida. Eu sempre quis ser um atleta de futsal, chegar na seleção brasileira e ganhar títulos. Na minha opinião ilusão, confiança, motivação, respeito e dedicação são fundamentais para jogar e se manter jogando em alto nível. Enquanto tiver essas cinco palavras em minha frente continuarei jogando.
Futsaldeprimeira: O que você mudou no futsal brasileiro desde a sua ida para a Espanha?
Lenísio: Melhoraram algumas coisas. Está bom, mas acho que tem muitas coisas por fazer e isso tem que ser o objetivo a ser alcançado. Os clubes, jogadores e a CBFS, todos teriam que fazer a sua parte e participar da parte dos outros para que o futsal cresça.
Futsaldeprimeira: Você concorda que o futsal brasileiro tem de manter a sua tradição, jogar um futsal de habilidade? Ou adaptar às coisas boas do futsal europeu?
Lenísio: Acho que o Brasil sempre será diferenciado por sua qualidade. O que foi comprovado ao longo dos anos é que os outros países evoluíram e que só com a qualidade já não se ganha mais. Então a mescla de qualidade, habilidade e o coletivo tem que caminhar juntos.
Futsaldeprimeira: Qual a sua opinião sobre as competições locais como o Campeonato Estadual da Divisão Especial de Santa Catarina e os Jogos Abertos?
Lenísio: Sou a favor, pois é importante haver uma interação e oportunidade para clubes, cidades e jogadores.
Futsaldeprimeira: Vinicius, seu irmão está na Espanha há muito tempo. Quando vocês vão jogar juntos em um clube do Brasil?
Lenísio: Sinceramente não sei. Ele tem contrato na Espanha até julho de 2011 e o meu com a Malwee/Cimed acaba esse ano. Por enquanto não existe nenhuma possibilidade, quem sabe um dia isso possa acontecer.
Futsaldeprimeira: Falando em clube, que momentos nos clubes você citaria como os mais importantes?
Lenísio: Todas as conquistas são memoráveis e importantes. Todas tem seu valor, porque você treina, se dedica e quando conquista o título é o prêmio para todo o seu esforço e do grupo.
Futsaldeprimeira: E na seleção?
Lenísio: Na seleção a conquista do mundial em 2008 foi maravilhoso e inesquecível.
Futsaldeprimeira: Você teve alguns problemas físicos na temporada passada. Quais foram os motivos que levaram a isso?
Lenísio: As lesões acontecem, fazem parte da nossa profissão. Acho que aqui no Brasil se joga muitos jogos e a probabilidade de se machucar é muito grande. Além da Malwee, também jogamos pela seleção, são muitos jogos.
Futsaldeprimeira: Qual o planejamento da Malwee/Cimed para 2010?
Lenísio: A Malwee/Cimed sempre entra nas competições para conquistar títulos e esse ano não será diferente. Esperamos reconquistar o título da Liga Futsal que perdemos no ano passado, mas temos um longo caminho até lá. Esperamos chegar bem nos momentos decisivos.
Futsaldeprimeira: O que falta conquistar na sua carreira?
Lenísio: Sinceramente não olho para trás. O esporte é muito dinâmico, muda constantemente e se você ficar olhando para trás os outros passam por cima. Estou motivado, tenho ilusão, respeito, me dedico e confio que posso conquistar coisas importantes, então sigo meu caminho olhando para frente.
Futsaldeprimeira: Você já pensou no que vai fazer depois que encerrar a carreira?
Lenísio: Quero continuar no futsal e vou me preparar para isso. Ainda não sei se treinador ou diretor, mas será no futsal.
Futsaldeprimeira: Você em algum momento da sua carreira já teve a oportunidade de se transferir para o futebol de campo, assim como acontece com o jovem Mithyuê, hoje no Grêmio?
Lenísio: Estive dois meses no Atlético Mineiro em 2000. Tive apoio do presidente, diretor, treinador que na época era o Carlos Alberto Parreira e jogadores. Não foi por falta de apoio que não continuei, teria que optar, então preferi ficar no futsal, já que teria o mundial em 2000.
Futsaldeprimeira: Quais foram as suas referências no futsal?
Lenísio: Manoel Tobias, Vander Iacovino e Jorginho.
Futsaldeprimeira: Qual o jogo inesquecível na sua carreira?
Lenísio: A final do mundial de 2008 foi inesquecível.
Futsaldeprimeira: O que você espera da Liga Futsal 2010? Quem são os favoritos? Quem poderá surpreender?
Lenísio: As equipes que mantém uma base sempre saem na frente, mas isso não determina o campeão. Malwee/Cimed, Krona/Joinville/DalPonte, Carlos Barbosa e V&M Minas conseguiram fazer isso, mas não vale nada, pois dentro de quadra são outros fatores que determinam a vitória.
Futsaldeprimeira: Como está a Malwee/Cimed para a Liga Futsal 2010?
Lenísio: Estamos bem, houveram algumas mudanças e temos muitas opções de ataque e defesa. Esperamos chegar bem nos momentos decisivos.
Futsaldeprimeira: Seu filho joga futsal?
Lenísio: Meu filho tem 9 anos e joga no sub-11 do São Luiz Marista, equipe aqui de Jaraguá do Sul.
Futsaldeprimeira: Qual o recado que você deixa para as crianças que estão iniciando a carreira no futsal?
Lenísio: As crianças tem que se divertir, aproveitar sua infância, cada momento é um momento diferente. Quano chegar o momento de decidir se será ou não um profissional aí entram as cinco palavras que falei: ilusão, respeito, motivação, dedicação e confiança.
Futsaldeprimeira: Agradecemos a você pela atenção de como nos atendeu. O futsal brasileiro só tem que te agradecer por tudo o que você fez e faz pela modalidade. Parabéns pela excelente pessoa que você é, mais sucesso ainda é o que lhe desejamos. Grande abraço.
Lenísio: Eu que agradeço pela oportunidade de participar. Muito obrigado!