Práticas que trabalham a mente podem ajudar clubes profissionais em momentos críticos

Yoga, tai chi chuan e capoeira podem trabalhar a mente e o corpo dos atletas, colaborando em situações decisivas

Marcelo Iglesias

Em prática de esportes que exigem muito da musculatura dos atletas como o futsal, por exemplo, em que os jogadores precisam contar com uma forte explosão muscular, o trabalho corporal é essencial. Mais do que isso, em atletas de alta performance, o desenvolvimento muscular é realizado de maneira muito pontual, trabalhando os conjuntos musculares que serão mais exigidos durante as partidas.

Essa realidade, com certeza, faz com que os esportistas brasileiros sejam mais valorizados fora do país. Contudo, poucos ou quase nenhum dos clubes nacionais procura desenvolver técnicas e práticas que visem o lado mental de seus atletas.

“Uma das questões mais importantes e que traria muito aos clubes seria a utilização de práticas que trabalhassem o equilíbrio corporal e mental de seus atletas”, afirmou a professora Maria Angela Soci, presidente da Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan e Cultura Oriental (SBTCC). “Na China, por exemplo, com certeza, uma das causas do sucesso dos atletas é por causa do trabalho mental que é realizado com cada um deles. Isso é tradicional por lá. Faz parte da cultura do país”, comentou.

Práticas como a yoga, o tai chi chuan e a capoeira, por exemplo, seriam de grande valia para as equipes de futebol. Isso porque, em todas elas, um dos aspectos mais importantes é o equilíbrio mental, o controle corporal, e o desenvolvimento dos reflexos. Ou seja, temas por vezes negligenciados pelos times, mas que em casos de jogos decisivos ou da recuperação de lesões, podem contribuir muito.

Quando a professora de yoga formada pelo Instituto Cardoso de Almeida, Neide Sanches trabalhou com os jogadores do Palmeiras, um dos atletas do clube tinha lesões nos nervos e uma enorme dificuldade relacionada à elasticidade. Após uma semana trabalhando com a profissional, o jogador voltou aos gramados e nunca mais teve problemas relacionados à região lesionada.

“Uma das questões mais importantes para quem pratica qualquer tipo de atividade física é a pessoa ter o que chamamos de consciência corporal. A maioria dos indivíduos analisam isso apenas por até onde eles conseguem chegar, muitas vezes ultrapassando as barreiras do que é sadio. No entanto, a única forma de superar os seus limites é se você conhecê-los, e é nisso também que práticas como o tai chi chuan podem ajudar”, disse Maria Angela.

A presidente da SBTCC citou como um dos casos em que os limites não foram respeitados, e que acabou prejudicando o atleta, o do tenista Gustavo Kuerten. “Ele sabia do seu potencial, mas, infelizmente, foi tratado como uma máquina. Alguns dos benefícios trazidos pelo tai chi chuan seriam o fortalecimento, o equilíbrio emocional e o aumento da flexibilidade. E tudo isso por meio de uma prática de baixo impacto, o que dificilmente colocaria o atletas em risco de lesões” afirmou a líder da SBTCC.

Além dos benefícios, principalmente no campo psicológico, técnicas como a yoga e o tai chi chuan, podem ser valiosas no que diz respeito à respiração e ao condicionamento físico. Durante o tempo de trabalho de Neide Sanches no Palmeiras, os atletas voltavam sempre muito bem para o segundo tempo das partidas e, por vezes, venceram jogando com o cansaço do time adversário, e conservando o seu bom desempenho.

Outra prática que não tem ligação direta com o futebol, mas que poderia trazer benefícios é a capoeira, a qual exige enorme flexibilidade, reflexo e, principalmente, que se tomem decisões rápidas, desenvolvendo a calma em momentos que seriam comumente de grande estresse.

“O mais importante é que essas técnicas não enxergam os movimentos do corpo como algo automático. Elas unem mente e corpo, fazendo com que este seja totalmente controlado e que fatores externos tenham pouca influência sobre a performance do praticante”, concluiu Maria Angela.
 

Fonte: www.mesquitaonline.com.br

 










 
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